Parei no sinal
O menino das laranjas murchas
Veio correndo
Antes de o carro parar
A mulher de teta à mostra
E hálito acebolado
Pedia donativo
Para os pedintes de donativos
Um mal encarado
Já limpava o para-brisa
Com água de esgoto e espuma
De latrina
O cego de plantão
Batia com a bengala
Na lataria do carro
E gritava aleluia irmão
Um Papai-Noel magro de saco vazio
Perguntava o que eu queria
Ganhar de presente
Todos com os rostos colados
Nas janelas
Como cabeças conservadas em formol
Na estante de um necrotério
De filme "trash"
Acelerei invandindo o sinal fechado
Acordei com o hálito da mulher
De tetas à mostra
Que morria de rir da surra do cego
No menino das laranjas murchas
O lavador de para-brisas
Fazia xixi no balde
E o Papai-Noel de arma em punho
Dizia que meu presente era o sonho
De toda humanidade
A vida eterna
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
sábado, 5 de dezembro de 2009
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
ANOTAÇÕES QUE NINGUÉM NOTA
Tudo meio solto
Tudo muito mito
Sem saber o rumo
Sem ser do ramo
Como se já não
Fizesse mais parte
Nem como parte
Cada vez mais perto
Do segundo parto
Último porto
Tudo muito mito
Sem saber o rumo
Sem ser do ramo
Como se já não
Fizesse mais parte
Nem como parte
Cada vez mais perto
Do segundo parto
Último porto
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
VIDA
Se durar o suficiente
Nada mais eterna
Se for só um sonho
Então foi feita para durar
Se for apenas um aprendizado
A lição será questão de tempo
Se morrer no parto
A solidão não chegará a tempo
Nada mais eterna
Se for só um sonho
Então foi feita para durar
Se for apenas um aprendizado
A lição será questão de tempo
Se morrer no parto
A solidão não chegará a tempo
sábado, 7 de novembro de 2009
LIBERDADE PARA ESPERNEAR
No fundo no fundo
O que mais se leva
A sério
Da opinião pública
É sua opinião púbica
O que mais se leva
A sério
Da opinião pública
É sua opinião púbica
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
ENGRENAGEM
a cadeira de balanço
acompanha o pêndulo
do relógio
o coração embala a cadeira
como um pêndulo
quando o relógio bate
a hora certa
o tempo bate no coração
o pêndulo perde a hora
e a cadeira não balança mais
acompanha o pêndulo
do relógio
o coração embala a cadeira
como um pêndulo
quando o relógio bate
a hora certa
o tempo bate no coração
o pêndulo perde a hora
e a cadeira não balança mais
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